Transcrever improviso ajuda a improvisar?

Transcrever improviso ajuda a improvisar?

Transcrever improviso ajuda a improvisar?

Não, de jeito nenhum. Conheci pessoas que transcreverem inúmeros solos e que na hora da improvisação pouco conseguiam desenvolver. Evidentemente cabe ao educador orientar o estudante a extrair da transcrição elementos que contribuam de fato com sua formação.

Transcrever por transcrever é uma atividade inútil.

De que adianta o estudante se concentrar em tirar um improviso de dois minutos, e ao longo de sua experiência sequer ouvir o álbum na íntegra? Ou conhecer o improvisador a fundo, ou definir se o conteúdo da sua transcrição forma uma improvisação idiomática ou não idiomática.

E quais elementos então estão nessa improvisação idiomática?

Nunca me esqueci de uma show com palestra de um guitarrista norte-americano formado na Berklee – Mike Stern. Todos os estudantes envoltos em práticas de transcrição, e cansados dessa prática, queriam perguntar a ele quantas transcrições ele havia feito.

A pergunta foi a segunda da noite, e o guitarrista afirmou que não havia transcrito mais que dois improvisos por conta, e só fez o que foi obrigado. E ele foi ovacionado em meio a gargalhadas.

Justamente quem defendia as transcrições como método, obrigando os alunos a uma exaustiva prática de transcrever, emudeceu, mas nunca abandonou a obrigatoriedade de método que parece muito mais de imposição hierárquica, do que prática educativa.

É preciso transcrever e analisar o solo, extrair frases, consolidar o uso de ideias musicais. Mas prefira improvisar, prefira ter métodos para desenvolver o improviso através de reflexões de bons educadores.

Fica assim! Vou ampliar essa publicação, mas por enquanto ficamos por aqui.

#VemProSouzaLima