Dinho Gonçalves – Professor Destaque

Dinho Gonçalves – Professor Destaque

Dinho Gonçalves é dos professores mais respeitados, consagrados e queridos do Conservatório Souza Lima. A sua carreira começou cedo, quando ele tinha apenas 14 anos e aos 16 já tocava bateria nos bailes. Ele se formou pela Berklee College of Music em arranjo, composição e regência. Estudou piano com Aparecida Giacobi e Fausto de Paschol. Nos Estados Unidos, trabalhou com Paul Winter, Kenny Burrel, Richard Davies, Willy Bobo e Patato Valdez.

Além dos Estados Unidos, Dinho morou também no Norte da África, onde trabalhou com Mustapha Tettey Addy, Felipe Mukenga e Ray Lema. Morou na África, onde aprendeu os segredos da música e instrumentos africanos. Percorreu todo o continente por um período de dois anos. Lá, aprendeu técnicas e usos dos instrumentos árabes.

Viajou para a Índia e Coréia do Sul com o Grupo Batá-Kotô, nas comemorações dos 600 anos da independência coreana. Esteve em países europeus, como Itália, Portugal (onde morou), Suíça, Suécia, Espanha, França e Alemanha. Ministrou workshops e clínicas na Itália, Alemanha, Cuba e Argentina. Percorreu a América do Sul tocando com Fred Feld, conhecendo diversas capitais. Esteve na Jamaica e também em Barbados, Curaçao e Porto Rico. Participou do Festival Internacional de dança em Lyon na França. Trabalhou no Equador com o Grupo Chaski de música folclórica. Em 1964, ganhou o prêmio baterista revelação dos festivais de bossa nova com o grupo “Sambessa Trio”, promovido pelo jornal Folha de São Paulo.

Foi apontado pela Zildjian como baterista mundial, junto com Airto Moreira, Robertinho Silva, Paschoal Meireles, Zé Eduardo Nazário. Trabalhou e gravou com os seguintes músicos: Johnny Alf – Cauby Peixoto – Eduardo Gudin – Renato Teixeira – Ângela Maria – Giba Favery – Elza Soares – Sá e Guarabira – Pery Ribeiro – Elba Ramalho – Banda 4º Mundo – Hermeto Paschoal – Moacir Peixoto – Sonia Santos – Maria Odete – Rosa Maria – Beto Escala – bílio Manoel – Manfredo Fast – Oliveira e seu Black-Boys – Tito Madi  – Rita Lee – Eduardo Araújo – Toquinho – Originais do Samba –  Martinho da Vila – Pancho Morales – Banda Heartbrakers – Lucio Gatica – Paulo Moura – Laura Finokiaro –Sandra de Sá – Cláudio Zoli – Booker Pitman – Alaíde Costa – Eliana Pitman – Grupo Bendegó – Grupo Mandahlodin – Grupo Woyekê (criado e dirigido por 10 anos) – Dinho & Cia. – Grupo Linha Dez – Fafá de Belém – Maria Farinha (participação no CD mais recente – 2006).

 

Confira agora, uma entrevista exclusiva com Dinho, onde ele conta mais sobre estas experiências.

Conte-nos como foi sua experiência na Berklee.
Dinho – Na Berklee, depois de conseguir uma bolsa, foi muito cansativo. Eu viajava de Nova York até Boston, fazendo em pouco mais de 3 horas para ir e voltar a Berklee. Somando os quatro anos que fiz isso, acho que dava para dar a volta ao mundo umas quatro vezes (risos). A Berklee é realmente um exemplo de escola de música. Tudo é perfeito com um pessoal realmente interessado em todas as áreas, professores dedicados etc. Os cursos são feitos sob uma análise rigorosa de especialistas, procurando ver todos os ângulos e necessidades do aluno no total aprendizado. Nada passa despercebido no âmbito de informações. Para mim, foi difícil, pois, meu conhecimento era baseado em divisão rítmica como baterias e percussionista. Então, nas aulas comecei a ver acordes, escalas, cifras, harmonia etc. Foi realmente muito esforço. Por três vezes, eu pensei em desistir e voltar ao Brasil. Eu morava sozinho e acordava às 4:00h da madrugada para estudar. Consegui todas as apostilas da escola e estudava no ônibus. Depois de algum tempo comecei a pegar gosto pelas aulas e consegui um entendimento maior e alguns sucessos nas provas. Isso me animou a continuar. Os alunos são muito ativos e nos intervalos só se fala sobre música e matérias dadas. O pessoal que sopro, estuda nos espaços entre as aulas era divertido. No último ano, fomos comunicados que a cadeira que fazíamos dava direito a aulas de regência. Resolvi, então, fazer e me formei maestro. Foi realmente tudo muito cansativo, mas com uma dinâmica enorme, o que motiva a gente. Passados todos esses anos achei que compensou todo o sacrifício.

Quanto tempo você morou na África?
Dinho – Vindo da Europa para o Brasil. Eu fiz escala no Senegal. Indo para o hotel (viajaria no dia seguinte), eu vi um cartaz de músicos em uma casa noturna. Fui a noite assisti-los e fiquei impressionado com a técnica e criação dos músicos. Na mesma noite, conheci Donald (um caçador profissional),que viajava constantemente por toda a África.Conversando c/ ele falei que tinha muita vontade de conhecer mais lugares da África.Ele disse que poderiamos fazer isso juntos,pois tinha expedições naturalistas p/ fazer etc.Dessa forma fiquei c/ ele conhecendo quase a África toda.Saindo do Senegal chegando ao sul e depois retornado ao norte até ao Egito. Todo esse tempo decorreu três anos que nem senti.A África é realmente um continente mágico.Gravar é sempre uma experiência nova.O sêr humano tem uma caracteristica de comportamento e postura que automaticamente passa p/ a música ao compor.Isso abre um univérso de coisas,muito interessante, e novas,o que sempre me acrescentou na minha formação musical,criando estilo.Então o que o músico é,é o que ele toca ou compõe,o que chamamos de estilo.

Dinho Gonçalves – Foto: Divulgação

Como foi seu trabalho no Heartbrakers?
Dinho – A banda Heartbrakers terminou. Eu trabalhei seis anos com eles. Logo depois entrei para a banda Havana Brasil que trabalhava o mesmo estilo (salsa e samba), que me fez aprimorar cada vez mais esses ritmos. Tocamos durante 13 anos no Bourbon Street. Eu saí da banda e estou montado um grupo somente com três percussionista. É um desafio, mas gosto de desafios.


Conte-nos sobre seus trabalhos atuais.
Dinho – Atualmente eu faço e componho gravação de comerciais, e participo de alguns CDs como convidado (bateria ou percussão).

O mais mudou no Souza Lima durante este tempo que você leciona?
Dinho – Estou no Souza há mais de vinte anos, fazendo meu trabalho com total liberdade e apoio do diretor em todas as coisas. O Souza Lima muda constantemente. Isso me agrada muito, pois na música nada é estático e as novidades aparecem com frequência. Nesse particular a direção está de parabéns.

Como está o trabalho no Núcleo de Percussão?
Dinho – O trabalho no núcleo é extremamente gratificante, pois a liberdade citada acima é importante. O alunos são muito interessados e correspondem inteiramente. O pessoal do serviço burocrático é eficiente: atendimento, matrícula, entrevistas e etc. Tem me ajudado muito e estou bem e contente lá.

Quais são os projetos para 2016
Dinho – Para 2016 já estou planejando para ensinar também composição. Alguns alunos compõem e não têm conhecimento real do sistema aplicado (regras), então, estou pensando em formar grupos de compositores. Alguns tocam um pouco de violão ou piano, mas vou estender isso para os bateristas e percussionista também. Pretendo ainda ministrar aulas básicas de regência. Em outras palavras, o céu é o limite. O que aprendi e sei passo para eles.