Uma breve história do Saxofone no Brasil

O Saxofone é um instrumento da família das madeiras, criado no século XIX na Europa, e consolidado no Brasil apenas no século XX.

Sua popularização se deu através de Pixinguinha, no fatídico episódio da substituição da flauta transversal, com o qual iniciou musicalmente, pelo saxofone por questões de saúde e fisiologia.

Pixinguinha trouxe o saxofone para o centro do mercado fonográfico brasileiro – através de imagens e performances. O saxofone antes compunha no Brasil as formações das bandas de coreto e bandas militares, e despertava interesse com outras finalidades de agrupamentos.

Com o modelo Tenor Pixinguinha delineou em suas interpretações relações musicais do contraponto e do contracanto, que se consolidou como repertório melódico do choro e do samba, em instrumentos como o bandolim e o violão de sete cordas.

Anterior a Pixinguinha, Anacleto de Medeiros, posterior a Pixinguinha, a geração de J.T. Meireles, do samba-jazz trouxe uma vivência americana ao estilo do saxofone que se consolidara no Brasil. Abrindo um caminho prodigioso para músicos como Victor Assis Brasil, Mauro Senise, Roberto Sion e Vinícius Dorin.

Provavelmente esse instrumento no Brasil estabeleceu-se favoravelmente ao timbre do saxofone tenor. Cujo som habita o imaginário do fazer musical brasileiro.

Há músicos de notória criação artística que utilizaram o instrumento como matriz, no Brasil e no mundo. Para conhecer a linguagem do saxofone brasileiro como movimento de aprendizado, vale conhecer a obra de Teco Cardoso, Carlos Malta, Mané Silveira – do Trio Bonsai, de Proveta – também clarinetista e notório arranjador. O saxofonista alto: Spok do frevo em fraseados de segunda subdivisão, e andamento acelerado.

Ou o agrupamento da big-band muito consolidado no Brasil – que recebe a família do saxofone.

Em uma figuração que procura a linguagem do pop norte americano em combinação com o jazz, o saxofonista Leo Gandelman, promove uma obra interessante ao fundamento que lhe é central.

Não criamos, mas transformamos

Vale conhecer a música brasileira. O fazer artístico do Brasil consolida linguagens muitos específicas para cada instrumento propriamente. O que confere ao Brasil um título de transformador da linguagem musical. Não criamos muitos instrumentos, mas os transformamos.

Aproveite esse infográfico com conteúdo e texto, assinados por mim João Marcondes para design do infografista Jean Forrer.

Há muito o que comemorar para esta publicação, minha centésima no BLOG Souza Lima! Obrigado!

joão marcondes

A publicação segue como fonte direta as pesquisas envoltas na dissertação “Fonogramas: transformações histórico-culturais e tendências tecnológicas no Mercado da Música Brasileira”, defendida em 2009 como atividade para obtenção de título de mestre, do próprio autor. E que propõe o estudo dos fonogramas da história da música brasileira como fonte primária.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville e Ribeirão Preto. Também é idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music.