Uma breve história do piano no Brasil

O protagonismo que o piano conheceu a partir de meados do século XVIII, para a música européia, está também na cultura brasileira. Vamos então a uma breve história do piano no Brasil.

Instrumento de cordas percutidas, o piano foi introduzido no Brasil no século XIX. E está presente nos primeiros registros fonográficos brasileiros, datados da primeira década do século XX.

Chiquinha Gonzaga e Guiomar Novaes

O piano é o instrumento da brasileira Chiquinha Gonzaga, compositora de marchas e choros, que ganhou notoriedade por suas composições. Chiquinha Gonzaga lecionou e influenciou nomes como Ernesto Nazareth, também pianista e compositor, e Joaquim Antônio da Silva Callado.

Piano que tem no Brasil a referência da exímia instrumentista Guiomar Novaes. Que estreou tal qual o maestro João de Souza Lima, também pianista e patrono de nossa instituição, inúmeras obras de Heitor Villa-Lobos.

O piano na Bossa-Nova

O piano que trafegou ao minimalismo, rítmico e melódico, nas mãos de João Donato, e mais que tudo elevou as composições do imenso Tom Jobim – que dispensa apresentação. E Luís Carlos Vinhas, Luís Eça e Amilton Godoy.

Instrumento também de Ary Barroso, compositor que influenciou Jobim em seus primórdios como compositor. E dos que vieram a seguir até que não são tantos, pois João Gilberto encampou o violão sobre a aura dos compositores brasileiros como Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, Caetano Veloso e Milton Nascimento. Todos mais violonistas.

O violão antes submerso da aura da boemia consolidou-se como o instrumento do fazer musical brasileiro, descampando o piano de até então. O violão talvez pela praticidade? Ou pela genialidade de João Gilberto e Dilermando Reis – patronos cada qual em sua importância.

Sim é possível que o piano tenha perdido certo protagonismo pelo encantamento e praticidade de deslocamento do violão. Que o próprio Jobim dominava, como demonstrou nos discos que Frank Sinatra dedicou para sua obra.

Mas como negar que o piano é protagonista. Àquele que se percebe a fundo nas canções, ou que marca as harmonias, ou que difunde a música erudita.

Do virtuosismo não se abandona, pois há os trios brasileiros com o piano a frente. E o que dirá mais se há para o piano Hermeto Paschoal e Egberto Gismonti. Ou do elegante César Camargo Mariano. E da erudição estonteante de Nelson Freire.

O Piano brasileiro está aqui para ser ouvido e visto! Aproveite uma breve história do piano no Brasil.

A pesquisa e texto são de João Marcondes da dissertação de mestrado “Fonograma: transformações histórico-culturais no mercado da música popular urbana brasileira”, para infográfico com design de Jean Forrer.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.