Quero ser músico entrevista: Lupa Santiago

joão marcondes

A série Quero Ser Músico Entrevista hoje traz a trajetória e experiências do educador e instrumentista Lupa Santiago, coordenador da Faculdade Souza Lima desde 2004 – quando o programa de transferência de crédito para a Berklee (Boston, EUA) foi criado. E a seguir recebeu a regulamentação pelo MEC, cumprindo as exigências da educação brasileira, e obtendo nota máxima em quesitos fundamentais.

Uma instituição internacional começa com uma equipe internacional, Lupa Santiago reuniu músicos consagrados e educadores musicais com mestrado e doutorado, alguns recém chegados do exterior.

Eu, João Marcondes, fui aluno da primeira turma da Faculdade, e também aluno de guitarra entre 2002 e 2004 do próprio Santiago, e é um prazer nesse momento realizar essa entrevista que visa contribuir com a formação de futuros músicos profissionais. Vamos lá!

ENTREVISTA

Nome: Lupa Santiago (Luis Paulo)
Cidade Natal: São Paulo
Ano de Nascimento: 1973
Instrumento: guitarra
Formação Acadêmica: Mestrado e Graduação Berklee College of Music.
Formação Livre: GIT (Los Angeles)

1) Em que ano iniciou sua atuação como músico profissional?

Difícil definir o profissional, abria shows do Sepultura aos 15 anos de idade.

2) Quais áreas atua diretamente como profissional da música?

Músico, compositor, educador, e hoje apresentador do programa Edição Limitada na Radio Eldorado.

3) Como foi se estabelecer guitarrista de jazz em nível internacional, listado entre os dez mais impotantes no último ano, mesmo vivendo no Brasil?

Estudar fora me abriu a cabeça e me trouxe amigos pelo mundo todo, além de eu ter entendido o que precisava para minha carreira.

O músico tem que ter sua obra, eu lancei 20 álbuns até hoje, e quero continuar se possível com um por ano (em média).

Isso leva sua música a lugares e ouvidos distantes.

Tem que se apresentar ao vivo o máximo que puder e buscar seu som dentro do gênero musical que escolheu. Tocar com pessoas diferentes ! No exterior não é diferente, precisa se manter rotina de turnês e lançamentos de cds p ser comentado e ouvido . Tudo anda em progressão geométrica, quanto mais toca , mais gente te conhece, maior o número de convites para o ano seguinte

Outra coisa boa é manter-se antenado com o que acontece no mundo, assim sempre trará em sua música uma relevância artística, algo novo. E musicalmente consistente.

3b) Como seleciona o repertório? Existe uma triagem temática, com uma proposição estética previamente estabelecida?

Penso no grupo que vou gravar, na instrumentação. Acima disso nos músicos.
Sempre existe uma proposição estética, para dar identidade ao som, mas ela aflora naturalmente.

4) Como os anos de formação nos EUA, entre MI e Berklee contribuíram para o desenvolvimento da sua carreira internacional?

Contribuíram muito, aprendi a estudar, o que estudar e como. Conheci muita gente do mundo todo, culturas e mentalidades diferentes, além de ter vivido o dia a dia do jazz.

Para se aprender uma linguagem é importante passar um tempo no “berço” dela.

5) Como a atuação de educador, levando-se em conta também a função que exerce de coordenador da Faculdade Souza Lima, contribui com a consolidação e continuidade de seus estudos para seu desenvolvimento artístico? É importante a autoaprendizagem?

Ser educador me inspira a tocar e vice-versa. Acho que o educador precisa da experiência prática frequente. Os alunos todos anos trazem coisas diferentes que te expõe a novas situações, novas cobranças e questionamentos, e isto é muito sadio para o artista e para o professor. Transmitir conhecimento é uma responsabilidade gigante, mas é muito recompensador

6) Então: Como você organiza o tempo da prática do instrumentista com as atividades docentes na consolidação de novos desafios?

Tudo tem que acontecer: o educador, o artista/músico e o aprendiz; ou a vida não fica completa. As funções se entrelaçam, quando está fazendo uma delas acaba trazendo elementos para outra.

Tenho meus dias à frente da coordenação da Faculdade, e procuro encaixar duas à três horas de estudo de guitarra pelo menos cinco dias por semana.

Os shows e gravações variam com os períodos do ano, alguns meses com agenda mais lotada que outros, mas procuro fazer o máximo possível.

7) Partindo de uma visão acadêmica, como avalia a formação universitária oferecida no Brasil aos estudantes no que se refere a preparação para o mercado de trabalho?

Tem melhorado muito, a qualidade tem sido bem superior ao que o mercado percebe.
Ao final da Faculdade Souza Lima o aluno egresso é capaz de arranjar para diversas formações, compor para diversos gêneros e executar música com qualidade profissional.

8) Como avalia a cena da música instrumental brasileira para uma nova geração de músicos que ingressarão nos próximos anos em programas universitários?

Em relação à qualidade musical todo ano vejo no Brasil uma quantidade crescente de músicos excelentes. Financeiramente vivemos um período difícil, o streaming acabou com a venda de cds e mudou um pouco a compreensão do produto música, na minha opinião para pior. As novas gerações terão desafios maiores que a minha, até porque já nasceram neste mundo novo. E tudo são ciclos, espero que o próximo ponha este questionamento a tona.

9) Levando em conta seus quase vinte álbuns: Como o instrumentista deve realizar seus estudos para atuar em tão diferentes agrupamentos musicais? Ou com músicos de origens tão contrastantes?

Acredito que devemos estar sempre preparados para todas oportunidades.

Manter a leitura musical em dia, ter linguagem, vocabulário no gênero que trabalha, boa atitude, bom som, são parte de um bom estudo para se manter em forma.

Sobre as origens contrastantes , são a grande descoberta, cada um tem uma forma de ouvir a música e se mantiver o ouvido e coração bem aberto vai aprender muito e se divertir, saber que existe o certo, o errado e todos os outros.

10) Falando sobre o programa de rádio que apresenta, como desenvolve a programação da semana? Como surgiu a ideia?

Procuro trazer temas interessantes dentro do jazz, fases da história, às vezes foco num artista, às vezes num instrumento, mas tem que variar para não cansar a fórmula.

Sobre o surgimento, sempre que lanço um álbum procuro divulgar e isso inclui entrevistas em radio, entre 2015 e 2016 lancei 5 álbuns, acabei indo muitas vezes as rádios, e em especial na Eldorado com quem eu já tinha grande identificação. Eles queriam recolocar um programa de jazz e me convidaram.

O programa Edição Limitada é apresentado quartas as 20h, e domingos a partir das 21h na Rádio Eldorado.

AGRADECIMENTO

Parabéns pelo programa. Sou expectador.

Caríssimo amigo Lupa Santiago agradeço a entrevista.

A contribuição com uma nova geração de músicos profissionais, melhor formada, mais informada, é um legado que com certeza temos em comum.

Grande abraço

João Marcondes

A entrevista foi realizada por e-mail em 11 de junho de 2018.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.