Qual instrumento musical de sopro é mais fácil de tocar?

joão marcondes

É notório que todos os instrumentos possuem níveis de execução. E cada instrumento possui uma escalada intensa para atingir os paradigmas que formam o mais alto nível instrumental. Responder então qual instrumento musical de sopro é mais fácil de tocar é um desafio bastante peculiar.

Verifique: É uma afirmação falsa dizer que tocar percussão é mais fácil que tocar violão, ou que tocar violão é mais fácil que tocar flauta.

A impressão de saber tocar está erroneamente em instrumentos que pareçam mais fáceis, como a percussão se comparada a um instrumento de corda, ou ao sopro. É a mesma impressão que se preserva na relação entre tocar violão ou saxofone. Ou do saxofone para o oboé.

Os instrumentos que conhecemos intimamente do repertório que apreciamos cotidianamente, ou da vivência que possuímos, sempre parecerão mais fáceis.

Ocorre que se escolhermos uma família em detrimento a outra a falsa impressão perpetua. Não podemos comparar instrumentos de famílias iguais, imagine então comparar instrumentos de famílias diferentes?

Tocar pandeiro em um nível avançado, de domínio e expressividade, e repertório, é uma tarefa  complicada que demanda anos de dedicação. Coordenação motora grossa e fina.

A pergunta poderia ser então: “Qual é o instrumento de sopro mais fácil de se tocar mal?”

Imagine pegarmos uma gaita diatônica ou uma escaleta.

  • Em ambos não precisamos desenvolver embocadura para a primeira tocada, basta soprar. Mas mesmo soprar com qualidade depende de outros desenvolvimentos, como por exemplo, o bom uso do diafragma.
  • A seguir combinar os sons movendo a gaita na boca, ou a escaleta pressionando as teclas com os dedos da mão direita – que remete a uma técnica única, mas que são diferentes entre ambos. A escaleta demandará coordenação motora fina. A gaita controle nos lábios de onde soprar para obter o som X, Y ou Z.

Ao menos conseguimos tirar os primeiros sons rapidamente. Fácil então?

Infelizmente essa ação não organiza música.

No clarinete, trompete, trombone, flauta transversal, saxofone, a menção de realizar algo depende de uma adaptação dos lábios, da embocadura, e de um amplo controle do diafragma.

Esse aprendizado motor e fisiológico, deve vir acompanhado do aprendizado dos símbolos e da musicalização.

Então esses instrumentos são mais difíceis?

Para uma primeira menção que diz “Quero tirar um som rápido” – sim.

Fato que tocar qualquer instrumento requer dedicação. Organização e desse modo orientação.

A orientação estreita o caminho e torna o seu grande sonho muito mais que o suficiente para realizar.

O instrumento musical de sopro mais fácil de tocar então é aquele que você mais gosta, por mover sua dedicação, atenção ou força de vontade.

Se o objetivo é tirar qualquer som em uma primeira soprada, com intuito e pretenção mínima, a gaita e a escaleta podem ser esse caminho. Mas lembre-se tocar a gaita com a qualidade de Toots Thielemans ou um Maurício Enhorn, é tarefa muitíssimo árdua, equiparável ao mais alto nível de qualquer outro instrumento.

Ou tocar escaleta como Hermeto Pascoal?

Como então comparar esse nível de execução?

Chegamos a questão apresentada e novamente confirmada.

Existem diversos níveis para tocar um instrumento. E tocar um instrumento requer um nível de compreensão musical. Leva tempo.

A tecnologia trouxe um paradigma complexo. Por exemplo: Mexer em um celular, aprendendo todos os seus recursos é algo factível em um dia de uso. Não há instrumento musical que seja assim. 

Utilizar um computador, ou vídeo game também. Embora nos games antigamente um jogo que desafiava virava motivo de ação contínua, treinávamos para passar uma fase difícil, por meses. Hoje uma fase difícil faz com que muitos abandonem o jogo.

Estamos então em um conflito humano? O que será dessa pergunta no futuro?

#VemProSouzaLima

Atualizado em 17 de setembro de 2018.

 

 

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/