O que são sinais de abreviação em música?

O que são sinais de abreviação em música?

Qualquer símbolo que diminua ou condense a escrita da partitura é considerado sinal de abreviação. Da armadura de clave ao ritornelo, da coda à teoria das casas e o dal segno. Vamos conhecer mais sobre sinais de abreviação.

A priori podemos afirmar que a economia do papel e da tinta na escrita manual e a seguir das chapas de impressão de bronze (século XIII) para ainda muito depois na consolidação da partitura como objeto comercial (século XVIII para o XIX), conceberam certa motivação ao desenvolvimento dos sinais de abreviação.

A partitura foi um objeto artesanal por setecentos anos.

Os copistas, ajudantes dos compositores a priori, musicistas responsáveis pela confecção da partitura, também criaram anonimamente os símbolos que atenderam a demanda da abreviação.

Observe a primeira partitura “Mané” – uma canção de minha autoria, registrada no meu primeiro disco:

João Marcondes

 

Símbolos

Imagine-se então escrevendo uma partitura com cem compassos, cuja escrita dividindo uma pauta em quatro compassos ocuparia três folhas corridas. E havendo repetições sequenciadas de trechos de dezesseis compassos, criou-se para tal o ritornelo.

Que também pode possuir uma forma espelhada que seleciona um trecho de repetição.

A representação do mesmo período musical poderia ser estabelecida pelo uso do termo Da Cappo, abreviado em D.C., que pode ser empregado em qualquer trecho da partitura, sempre acima do compasso de regresso, e sempre levará ao início.

Ritornelo com casas

Observe que o compasso 4 e o compasso 8 são diferentes, enquanto o compasso 1, 2 e 3, são idênticos aos compassos 5, 6 e 7 respectivamente.

Mudando apenas um compasso em duas seções de dezesseis compassos, criou-se então o ritornelo agrupado a teoria das casas. Casa um para o primeiro compasso que antecede o regresso, e o segundo que antecede o novo trecho. Mais uma vez abreviou-se.

Substituindo o ritornelo do fim pelo capo chegamos a uma partitura indicativa e clara. Observe:

Ou na repetição de um trecho inicial após uma sucessão de compassos distintos, a simbologia do dal segno pode indicar a posição de regresso para qualquer compasso. Aliado a uma indicação de finalização, ou um símbolo de coda que levaria para um novo trecho com perfil de finalização, realizando um salto entre os compassos pautados.

Coda: de sinal de abreviação para parte integrante da forma composicional

Coda que de um simples sinal de abreviação passou a trecho da forma, amplamente estudado e desenvolvido, sem perder sua característica de abreviação.

As simbologias apresentadas até aqui consolidam o mapa, a música proposta na partitura ocorre seguindo essas orientações. A partitura é um mapa, a partir do pulso constante, das escritas rítmicas e do uso dos sinais de abreviação.

A armadura de clave

Defendendo certo ponto de vista a Armadura de Clave, simbologia para acidentes fixos, é um sinal de abreviação por reportar as notas que serão modificadas de uma vez, e que seriam pautadas na escrita da partitura.

Algo que prevê os acidentes. Imagine-se copista pautando algo no período barroco em sol sustenido menor, e sem armadura de clave…

Curiosidade:

Em experimento realizado recentemente com estudantes de nível intermediário no uso de acidentes ocorrentes em detrimento a armadura de clave atingimos êxito, com 90% dos testados acertando quase que totalmente a execução da partitura, enquanto com armadura de clave o índice de acerto caiu a 50%.

Como não há mais a necessidade de se abreviar a escrita por questões de tinta e papel, seria o caso de abolir a utilização da armadura de clave?

Para mim sim.

Faça a leitura agora sem a utilização da armadura de clave, o que você preferiu? A indicação contínua dos acidentes, das alturas que realmente são, ou com a abreviação oriunda da utilização da armadura de clave?

Resolveu sua curiosidade? Em outra publicação apresentarei outros exemplos aplicados em partitura dos sinais de abreviação.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.