O que são instrumentos aerofones para a organologia?

aerofones

O que são instrumentos aerofones para a organologia?

Gosto de lembrar que o maior nome da música brasileira, o primeiro compositor a compor de fato a música do Brasil, tocava flauta transversal, e depois por um problema de saúde, saxofone tenor. Um renovador em tudo que fez, arranjo, produções, performance e composição, seu nome: PIXINGUINHA.

Quando observamos os instrumentos musicais, por vezes, nos confundimos pela informação visual. Se são instrumentos de teclas ou os instrumentos de fole, palheta dupla, palheta simples, bocal, alguns instrumentos que parecem muito diferentes são na verdade de uma mesma família.

Para organologia, então o que são instrumentos aerofones?

São instrumentos que utilizam da ventilação humana ou do movimento do ar por fole, que chamamos de ventilação mecânica, para emitir som dada combinação de chaveamentos, teclas, palhetas e botões.

Para a música brasileira popular, urbana os instrumentos de metal, com bocal, válvulas ou vara possuem algum destaque – trompete e trombone compondo o agrupamento da big-band, mas que são habituais em samba de gafieira, e variações da música instrumental improvisada. O trombone e o trompete – instrumento transpositor – estão presentes também na formação da orquestra sinfônica.

Temos na organologia do mercado fonográfico brasileiro também o Oficleide – da família dos metais, que possui digitação de saxofone, tessitura de trombone, assim como bocal comum entre os instrumentos dessa família. Aerofone de metal.

A flauta transversal, é um instrumento da família das madeiras, com bocal, chaveamentos combinatórios. A flauta está para o choro, samba, tal qual o clarinete – que é um instrumento transpositor, madeiras, de palheta simples.

Saxofone também é um instrumento das madeiras, de palheta simples, aerofone. Presente no agrupamento da big-band, na banda sinfônica, e continuamente utilizado na música pop.

Embora as teclas pareçam uma família específica ao observá-las de maneira desavisada, elas estão separados em variações de emissão por cordas percutidas, por cordas pinçadas, e também pelo fluxo do ar – aerofones. E até por sintetizadores: Teclado.

Há então instrumentos de teclas como Órgão das igrejas ou uma simples escaleta – que são na realidade também instrumentos aerofones.

A escaleta é o mais jovem desses instrumentos aerofones, as teclas combinam os orifícios internos, também chamadas de palhetas, no movimento da ventilação humana conforme se acionam as teclas. Instrumentos aerofones de teclas. O acordeão, ou sanfona, possui fole, então aerofone por ventilação mecânica.

Instrumentos como a gaita de boca, clarone, oboé, fagote, também são aerofones, sendo que os dois últimos possuem palheta dupla. A trompa, instrumento aerofone de metal.

Na variação de função musical, exceto o acordeão, o órgão, e a escaleta, que também podem exercer harmonia, os demais instrumentos são melódicos – emitindo apenas um som por oportunidade.

Fato que perante a organologia os instrumentos aerofones, ou aerófonos, são a maios família, e também a mais diversificada quanto a timbres.

Aproveite nosso infográfico com considerações sobre essa família, tão especial e dominante na música, o conteúdo organizado de forma mais visual. Aproveite!

#VemProSouzaLima

 

 

João Marcondes

No Brasil possuímos muitas referências em cada instrumento, mas é assunto para uma nova postagem.

O conhecimento é um caminho sem volta!

OPINIÃO

Conhecer cada instrumento é fundamental para os compositores e arranjadores. Se os arranjadores e compositores atuam de maneira escrita, os produtores são como alquimistas, equilibrando os timbres e ideias, os músicos e seus estilos. Todos nesse espaço de criação precisam conhecer os instrumentos e suas características.

Há um lastro cultural que precisa ser levado em consideração, um lastro digno da história da música ocidental – umas história é verdade bastante eurocêntrica, mas que pelo advento do mercado fonográfico coube espaço para uma nova geração estilística, que aproveita ocasionalmente da escrita, no entanto, usufrui do instrumento como um todo, um todo cheio, completo.

A música brasileira, como sempre digo e escrevo por aqui, não criou muitos instrumentos é verdade, o que de fato contribui foi com a forma de se tocar cada instrumento. Isso sim digno de um fazer cultural. Renovação, essa é nossa maior contribuição.

Vamos em frente!

 

 

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/