O que é trilha sonora?

joão marcondes

Trilha sonora é música que compõe ou alimenta um segundo objeto ou ambiente artístico, com intuito de sublinhar, fortalecer ou afirmar sensações humanas.

A partir de valores estéticos e técnicos a trilha sonora se estabeleceu.

A trilha sonora então é algo constituído para que se destaquem valores fundamentais da arte encenada – da dança, da dramaturgia teatral ou cinematográfica, mas também pode alimentar ou compor a exposição de um museu.

Desde o período Barroco quando a música propositadamente se separou de outras artes, ganhando notável destaque nas composições instrumentais, através das tocatas constituiu-se valor para uma arte pura – restrita e comunicativa e organizando apenas som e silêncio. Sem associação direta ou indireta com cerimônias religiosas ou outras artes.

A ideia de música pura

Sequer a música vocal, se dotada de texto, estava relacionada por esse pensamento, por esse ponto de vista cuja arte pura se sobressaía.

O notável propulsor, o compositor, provavelmente um dos maiores da história da música ocidental, ou senão o maior de todos os tempos, J.S. Bach, fora partidário da música pura.

Música para coreografia, não coreografia para música

A música prosseguiu fortalecida e apoiada em outras artes. E possui protagonismo, mesmo que secundária na construção de determinadas linguagens artísticas. O que justifica a existência do conceito de trilha sonora.

Desde o século XIX os coreógrafos compõem dança sem que haja música, para que um músico compositor a faça a seguir inspirado nos movimentos previamente concebidos. Estava evidenciado então o reforço ou até surgimento dos preceitos que separam música pura e trilha sonora.

Há obras compostas previamente, e até mesmo compositores que propuseram música para dança, mas nos dias de hoje os coreográficos reservam a si a independência para novas criações artísticas.

Há nessa projeção uma inversão, se antes a música era composta para que se dançasse, desde então a música passou composta para ilustrar, sublinhar ou fortalecer um movimento coreográfico.

Secundária

Ao que se afirma, a trilha sonora embora fundamental é uma forma de tornar a música uma ação secundária, seja na estrutura de uma obra artística da dança, teatro, cinema, ou de uma exposição de artes visuais.

Interagindo com os sons diegéticos – aqueles que fazem parte da cena originalmente gravada, ambiências e ruídos, a trilha sonora é uma obra composta especialmente para essa ocasião.

Um filme depois de composto, roteirizado, valorado em pesquisas, situado na história, gravado, e até editado, procura através de seu diretor geral um músico compositor que estabeleça trilha sonora original, em grande parte, para a película.

O conceito de trilha deflagra uma obra musical que é complementar com funções e direções pré-determinadas, que alimentam outra espécie de obra artística, sublinhando passagens e pontos de ênfase cenográfica ou cênica.

Mas podemos utilizar uma obra que existe e foi composta para outra ocasião como trilha sonora?

Sim. Embora devêssemos considerar por respeito a origem proposta pelo compositor da obra. Tive essa conversa certa dia com um coreografo que decidiu dançar a Área na quarta corda, de Bach. O que Bach considerava sobre sua criação? Para tal, deveria ser respeitada.

Dançar Bach então é uma heresia?

Não, ninguém será preso por isso (ao menos por enquanto), ocorre que algumas de suas obras foram criadas com a finalidade de apreciação, pura e simplesmente.

Criou-se com a trilha sonora uma nova escola para a música. Uma escola de aprendizagem voltada a composição, que utiliza dos recursos da composição, mas que se estabelece de forma dependente do que se procura ou se prevê ilustrar.

Do que se procura ou prevê sublinhar, destacar.

A música é uma arte independente, tal qual uma arte complementar e desse complemento estabelecemos o nome de trilha sonora.

Qual é uma trilha inesquecível para você? A minha sem dúvida é a do Senhor dos Anéis.

Se for de games, do Super Mário. De Série? GoT.

#VemProSouzaLima

Artigo publicado em 21 de maio de 2018, ampliado e revisado comemorando o TOP5 do BLOG Souza Lima em 2018. Na quinta posição, provavelmente seria primeiro, pois é o artigo mais novo que está nesta singela listagem de acessos.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.