O que é Música Boa?

musica boa

Antecipadamente música boa é uma contraposição a música ruim. É isso mesmo?

A primeira vista parece que sim, entretanto essa comparação sequer deveria existir.

Em primeiro lugar o emprego do termo música boa é recorrente, mas o que chamamos de música boa é aquilo que reconhecemos, ou seja, intimamente é algo de que gostamos. Isso é um fato que deve ser considerado desde já.

Sobretudo não há critério profundo (e até sério) para definir com conceitos musicais o que é bom e o que é ruim.

A princípio uma música de amplo desenvolvimento técnico – em forma, instrumentação, melodia ou harmonia, pode não ser boa. Tanto quanto uma obra musical apresentada de maneira primitiva pode ser maravilhosa acima de tudo.

Eu entendo a música contudo como uma criação que cumpre precisamente sua função.

Veja só! Uma música para dançar em par e uma música para dançar sozinho são tecnicamente diferentes – em origem e podendo ser em desenvolvimento também.

As funções da música

A música possui diferentes funções, definitivamente, o que atrapalha qualificar e definir o que é uma música boa. Boa para que?

Existe uma música que atende ao entretenimento, existe uma outra música que sublinha cenas do cinema, àquela outra que engrandece o teatro ou a dança tal qual existe a música que se escuta nas boates, nas festas e aquela apreciada em um concerto.

Uma música precisa comunicar ao que parece representar a ocasião.

Existe roupa boa? Sim, existe. Há o terno de linho, extremamente bem costurado e com tecidos diferenciados muito bem cortados, e que não vai vestir você para ir para praia. Também há o terno comum e ambos atendem uma mesma ocasião!

Existe uma excelente bermuda, com bom tecido, com corte ajustado, mas acima de tudo qual sua contraposição de corte ruim, descumprem a gala que se espera para um evento social.

O terno atende um objetivo, e que passa longe de ser ir à praia, e de antemão a bermuda atende um objetivo que passa longe de ser para um evento formal, é parte de um argumento fundamental para algo bom ou ruim. Já que varia o ponto de vista.

A música possui diversas funções que afirmam sua ocasião em específico. O que esperar de algo para dançar? Um texto e harmonia amarrados em um ostinato – preciso e atrativo, evidentemente, portanto algo como James Brown.

As obras musicais produzidas por Claude Debussy, e que influenciaram grandes nomes da musica popular e erudita, alegra, faz pensar, emociona, prende, mas desde já, não pode atender uma demanda do entretenimento jovem ou dançante. Se espera outros sons para a ocasião, portanto.

Ambas possuem valor.

De antemão então, algo musical de qualidade atende a uma ocasião com precisão. Com qualidade de produção, se fonográfica, boa apresentação, se ao vivo.

Existem excelentes compositores de determinado estilo, e que influenciaram gerações, e como contraposição sobre a mesma esfera existe maus compositores de suas gerações. Isso pode ser outro ponto de visto.

Claro, uma obra que outrora fora planejada para ser apreciada em um teatro em um processo contemplativo, desprendido dos cultos e ocasiões religiosas, potencializa suas características e diversidade ao não combinar com determinada ocasião, justo posto.

Antes de mais nada não devemos comparar músicas criadas para atender ocasiões contrastantes.

Ouvir em um fone de ouvido uma música para dançar é um pouco irônico, assim como ouvir Bach em um churrasco entre amigos mesmo que sejam alemães.

O problema também não está em ouvir uma música com uma função em hora errada. O problema é não ser capaz de apreciar obras musicais de ocasiões diferentes em momentos diferentes.

Nesse último caso voltamos a esbarrar na questão da educação musical. É preciso educar para compreender cada obra musical já que estamos falando de códigos.

Acima de tudo compreendemos números e letras com facilidade e algumas músicas são pequenas composições numéricas oriundas de somas ou pequenas frações, outras músicas, antes de mais nada, são grandes equações que demoramos para compreender.

Sacou o ponto de vista?

#VemProSouzaLima

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Primeiro me segue no instagram: joaomarcondesoficial! Eu sou o Professor João Marcondes! Sou coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Também coordeno programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. E coordeno as unidades Moema e Alphaville desde 2010. Também atuo na instituição em tarefas administrativas, como assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. Sou autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Meus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. Sou educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/ Segue no instagram; https://www.instagram.com/joaomarcondesoficial/