O que é forma?

joão marcondes

Forma é um paradigma organizacional de execução e análise de uma obra musical.

Ao analisar uma obra musical pontuamos questões que orientam a interpretação e execução.

As partes habitualmente podem ser ordenadas definindo cada seção por aspecto melódico ou função, ou como letras de ensaio continuamente de A até Z.

Mas a numeração de compasso não seria o bastante na partitura?

Não. Quando enumeramos o compasso aperfeiçoamos o ponto de partida na comunicação, mas quando o músico executante está ciente do ponto de partida dada a marcação da forma real, automaticamente o gesto musical e fisiológico se define para melhor designar a interpretação.

A organização da forma aperfeiçoa, por exemplo, a realização de um ensaio, tal qual o desenvolvimento da execução do musicista.

Se a obra está devidamente pontuada, no que é uma primeira seção ou uma segunda seção, e assim sucessivamente, na comunicação rápida aproveita-se o tempo escasso que habitualmente possuímos. A maior dificuldade no desenvolvimento de um trabalho, que depende de muitos músicos, está em conciliar as agendas.

Mas então o que é seção?

Seção ou parte é um compêndio estipulado dentro de uma sucessão de compassos definindo característica comum que os une em contraposição de outra sucessão de compassos.

Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, por exemplo, possui duas seções ou partes diferentes. Organizadas em A1 – primeira parte, A1 novamente, B – segunda parte, A2 – repetição da primeira parte com uma pequena variação.

Se a forma apresentasse uma introdução seria grafada como intro – seção preliminar que antecede o primeiro tema.

Se a forma apresentasse um interlúdio, ou intermezzo, ou seção solo inédita dada uma nova construção harmônica ou melódica, comporia uma nova seção – chamada de solo, ou interleúdio.

O mesmo ocorreria se houvesse uma seção final, inédita quanto a construção harmônica e melódica, e até mesmo rítmica, estaria formada uma nova parte – um coda, por exemplo, que na origem da história da música além de compor um sinal de abreviação é considerada forma – uma seção de variação da finalização de uma obra.

Como exemplo de forma:

Introdução A1 A2 B1 A3 Solo B2 A4 Coda

A mesma seção em determinada linguagem do arranjo, poderia ser grafada como:

Introdução A1 A1 B A2 C B A2 D

Ou ainda:

A B C D E F G H I

Nesse último caso, em letras de ensaio, dificulta à visualização das formas, tornando-se algo similar a enumeração dos compassos. São nove partes, grafadas de A até I.

Conclusão

Na organização da partitura, e da direção musical de um agrupamento, particularmente a primeira sugestão é a mais funcional.

Mas e se eu não utilizo partitura?

Pontue verbalmente o que considera uma seção e a forma que está construída sua obra musical.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.