O que é Fonógrafo?

A invenção do fonógrafo, no ano de 1877, encadeou um processo de transformação na realidade sócio-cultural dos musicistas, do final do século XIX aos dias de hoje.

 

A possibilidade de registrar e reproduzir sons fez da música mais que um meio de expressão artística. Com o fonograma a música popular se tornou produto comercial. A comercialização de objetos que guardam os sons trouxe a música a locais inóspitos antes não visitáveis.

Fonógrafo de Tomas Edson já aperfeiçoado.

O mercado fonográfico propiciou novas dimensões comerciais fazendo da música que se perdia na oralidade um meio para proliferação de idéias e ideais, contemplou a expressão popular das nações e registrou as modificações culturais, década a década, nos países de intensa miscigenação como o Brasil, Cuba, México e os EUA.

Com o advento do mercado fonográfico ocorreu um processo que culminou na profissionalização de musicistas de perfil popular. E abriu um novo campo de atuação ao musicistas de tradição escrita, eruditos. Os populares registrando em áudio obras que cairiam certamente em esquecimento pela ausência do conhecimento global da partitura, do grafar alturas e durações em pauta.

Estes autores intuitivos do final do século XIX, início do século XX podem ser reconhecidos hoje, estudados, o que remete a presença do mercado fonográfico e do advento do primeiro mecanismo de gravação: o fonógrafo.

Outros mecanismos

Os mecanismos de registrar e reproduzir sons, cujo mercado fonográfico usufrui, continuam em um processo acelerado de evolução, de aperfeiçoamento. Não foram poucos os sistemas do final do século XIX ao dias de hoje, haja vista os reprodutores: fonógrafos, gramofones, grafanolas, rádio, vitrolas toca discos, toca fitas, e o atual toca CDs e mp3. Os registradores: fonógrafo, gramofone, rolo, fita ADAT, fita DAT, fita k-7 e o meio digital, presente desde os anos 1990.

O fonograma, termo originado como objeto do registro sonoro do aparelho fonógrafo, foi revestido década a década com embalagens atrativas, coloridas e diferenciadas. A cada período a embalagem, do produto fonográfico, encontrou formas únicas e de importância comercial cada vez maior, a partir de 1950.

Com os avanços tecnológicos recursos musicais se modificaram, variantes surgiram desde a duração cada vez maior dos fonogramas, por exemplo, ampliou a forma da composição popular. Introduções, solos, interlúdios.

Dinâmicas por textura e acréscimos de instrumentos constituíram os arranjos. Os avanços tecnológicos possibilitavam novas arregimentações perceptíveis década a década.

A produção fonográfica possibilitou um intercâmbio cultural inimaginável, promovendo o início do processo que culminou na globalização.

O fonógrafo foi protagonista do mercado fonográfico brasileiro, como meio de registro, até meados da década de 1920.

Como funcionava o fonógrafo?

O fonógrafo era constituído por um cilindro de couro recoberto por uma folha de estanho, montado sobre um eixo horizontal provido de manivela em uma das extremidades, ao acionada permitia à agulha ligada a um diafragma riscar a superfície do estanho conforme a vibração provocada pelas ondas sonoras.

Na reprodução dos primeiros aparelhos, a velocidade imposta à manivela precisava ser exatamente a da gravação, do contrário o som surgiria distorcido e infiel ao corpo sonoro registrado originalmente. Essa questão ainda inviabilizava a comercialização em larga escala. O processo era manual.

A máquina posteriormente perderia a manivela manual e seria alimentada por uma bateria elétrica, que possibilitava a precisão necessária no registro e na reprodução sonora.

Os cilindros eram inicialmente fixos, mas por pouco tempo. Em 1889 o fonógrafo foi aperfeiçoado e os cilindros removíveis passaram a ser comercializados nos Estados Unidos no mesmo ano, algo que ocorreria no Brasil apenas em 1897. E em produção mercadológica apenas na fundação do mercado fonográfico brasileiro entre 1900 e 1902.

Texto extraído da dissertação da minha dissertação de mestrado “Fonograma: Transformações histórico-culturais e tendências tecnológicas no mercado da música popular brasileira – 1902 -2007”, aqui foi aprimorado para atender a linguagem do BLOG. Defendida em 2009.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.