O que é Fita Cassete?

Quem imaginou o quanto a tecnologia se renovou em menos de cinquenta anos?! Quem sou? Na segunda postagem da série nos encontramos com a fita cassete – um enredo para tantos sonhos.

A fita cassete foi primeiro exemplo de música portátil, afinal quem teve uma caixinha de fitas cassete no carro? Na bolsa? Na mochila?

Ter um toca-fitas no carro era sinônimo de ser bem-sucedido!

Mas junto com isso veio a chateação!

Quem se aborreceu por ter um painel estourado para levarem esse objeto de desejo deve recordar ainda mais do toca-fitas. Até com certo pesar.

Hoje é possível rir dessa memória, e até mesmo a seguir, com a renovação tecnológica, lembrar-se do descer do carro com um toca-fitas em forma de gaveta – que saia em mãos e que passeava como uma maleta pelos centros urbanos brasileiros. Pensando bem, que cena bizarra!

O que a fita cassete nos trouxe?

A capacidade de copiar, de gravar de forma caseira, possibilitava pela primeira vez na história do mercado fonográfico que um indivíduo qualquer criasse compilações de fácil manipulação.

Qualquer um fazia. E adorava fazê-lo. Coletâneas e mais coletâneas.

Compartilhávamos fitas, trocávamos.

E sempre ordenando como fosse de agrado, extraindo um ou dois fonogramas de sua preferência de um determinado disco, outro fonograma de um segundo ou terceiro disco. Com artistas e gêneros contrastantes postos sucessivamente. Éramos pela primeira vez protagonistas para a escolha.

Ao compositor popular a fita cassete propiciou os primeiros registros das canções – para eternizar, para não esquecer. Ou para lembrar.

Os que foram adolescentes na década de 1980 e 1990, esperar tocar na rádio a música favorita para gravar na fita cassete e poder ouvi-la tão logo quisesse.

E até mesmo nas ultrapassadas secretárias eletrônicas, a fita cassete estava lá registrando se o atender fosse impossível. Ou se ausência fosse presente. Ou se ausência fosse mentira…

E quando lançaram os walkmans?

Que símbolo! Ouvir e reouvir as músicas andando de bicicleta, skate, em uma viagem longa de ônibus, trem ou metrô. Era um tempo que a tecnologia ingressara ao dia-a-dia. Correndo pelas ruas, ou só passeando, lá estava o repertório na fita cassete no primeiro símbolo da portabilidade em música: o walkman.

Celular pioneiro? Que nada! Só quem teve um walkman sabe de que estou tratando! A fita cassete trouxe consigo o conceito de música portátil muito antes dos celulares, ipod e discman.

A fita cassete surge desenvolvida inicialmente pela marca PHILIPS na década de 1970. É, de certa maneira, a evolução das fitas de rolo eletromagnéticas, típicas das gravações de estúdio – os registradores profissionais.

A fita cassete ofereceu um amável amadorismo, embora a palavra amador já se relaciona diretamente com amar, vale ressaltar! Que paixão era o toca-discos em casa com três funções – rádio, toca-fitas gravador e toca-discos. Polyvox! Ou Gradiente! Sony era muito!

E quando iniciaram a comercialização de fitas cassete no Brasil?

Esse objeto de desejo começou a ser comercializada em série pelo mercado fonográfico do Brasil na década de 1980, com fonogramas pré-determinados como um álbum. Os mercados vendiam as fitas virgens. A minha fita de memória era de Andreas Segovia tocando Heitor Villa-Lobos! Amava essa fita!

Os últimos reprodutores de fita cassete foram vendidos até meados dos anos 2000. E dá saudade!

Tristeza com as fitas cassete era quando acabava a energia da pilhas do walkman! E a fita começava aquele morfético som, alongando as frequências!

A vida tem história! E como foi seu encontro com a fita cassete?

Aproveite mais essa série criada especialmente para nosso blog!

Esta série é parte integrante extraída da dissertação: “Fonogramas: transformações histórico-culturais, e tendências tecnológicas no mercado da música brasileira” – mestrado defendido por mim em 2009.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.