Música erudita significa música culta?

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Música erudita significa música culta?

Baboseira de youtuber. Música erudita significa música que utiliza de coeficientes escritos para consolidar-se tendo então controle perpétuo sobre todos os elementos físicos do som que compõe a obra musical.

Não se trata de música culta como obra melhor, ou que de fato apresente uma cultura ampla. Existe até um apreço ao eurocentrismo e de certa classe que dominou a palavra escrita, e a música – que foram nessa ordem monges e padres, músicos religiosos emancipados da igreja, músicos estudiosos.

A escrita musical foi desenvolvida no ambiente eclesiástico – que por muito tempo dominou a palavra escrita perante o povo. A esses devia erudição. Mas mesmo assim o termo erudito só passou a ser empregado de fato no período romântico.

A música do período medieval é música eclesiástica. Feita no ambiente da igreja para os cultos da igreja. Era erudita? Sim, por se comunicar mediante escrita.

A seguir a música do período renascentista é também música eclesiástica, embora haja o primeiro sinal de emancipação do conhecimento escrito. E portanto, esses músicos emancipados passam a pautar outras influências pagãs.

Veja que o termo “música pagã”, para tal, pode ser considerado sinônimo de música popular – por ser a música do povo. O mesmo que designa folclore, a raiz da palavra é folk, que provém do latim e significa povo. Era erudita? Não, por se comunicar mediante oralidade foge dos preceitos de erudição.

Os termos são cíclicos e são impregnados com outros significados.

Eu posso chamar essa música pagã de popular? Não. O termo popular vem adiante entre o barroco tardio e o classicismo.

E não se trata do termo popular que a indústria fonográfica assume adiante. Quando a música passa a trafegar por um novo mecanismo, a gravação, se presencia o nascimento de uma terceira via que forma o trípitico musical: música erudita, música folclórica e música popular.

A música erudita move-se pela erudição. A música folclórica por sua vez move-se pela oralidade. Enquanto a música popular utiliza da gravação e ocasionalmente, através da influência de músicos eruditos na história da indústria fonográfica, da escrita.

A própria música erudita afasta-se da partitura em dado momento e vai conversar com os sistemas tecnológicos da indústria fonográfica, e como vanguarda se estabelece como música eletrônica – termo que vai ser impregnado por um viés popular.

Se perguntar na rua o que é música eletrônica as pessoas falarão de David Guetta e não de Karlheinz Stockhausen.

O mais correto é chamar a música pelo o que ela é de fato – medieval, ars nova, ars antiqua, renascentista, barroca, barroca tardia, clássica e romântica. Essa música não é culta, por ser fruto de escrita, condicionando a inculta outro gênero musical, trata-se da maneira com que a música se comunica.

Há grandes músicos que respiram a escrita, e a há músicos que tiveram a escrita como resultado. Um grande bandolinista brasileiro passou sua vida memorizando centenas de choros, no ouvido interno, a seguir no instrumento. Toca lindamente músicas que transpiram o barroco. Essa música não é inculta.

Ser ou não cultura está na importância sociológica e antropológica para uma nação. Qual a importância da vanguarda de laboratório das universidades para o Brasil? Ixi, é um problema e tanto discutir isso aqui. Se pedir minha opinião é eu entendo o funk carioca como expressão mais legítima do nosso povo, como cultura. Novamente cultura popular ou erudita?

Cultura! Só existe dois tipos de música a boa e a ruim, e isso está presente em todo momento, para todos os gêneros e estilos, quando alguém inicia uma música.

Concluo que comparar o termo música erudita com música culta é uma banalidade típica de quem trata opinião como informação séria. Vai estudar!

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/