Música e fisiologia: Constatações

A pedido de um leitor, educador musical, e que tem recebido estudantes de música orientados pela internet, como qualquer escola de música do mundo; eu como coordenador pedagógico do Souza Lima desde 2010, promovi essa publicação com alguns dos principais problemas que temos recebido, e que espero sirva de reflexão:

Algumas afirmações importantes:

  • Tocar um instrumento utiliza tantas musculaturas quanto uma prática esportiva. Então, tocar de maneira errada pode ocasionar lesões muito sérias.
  • Todos os instrumentos criados até metade do século XX se inspiraram na fisiologia humana, mesmo o mais escabroso instrumento da família dos metais e madeiras orquestrais foram criados para tocar de forma relaxada, adequada a musculatura. Observe os instrumentistas para definir sua posição, já que para sua primeira formação você optou pelo Youtube.
  • A guitarra elétrica é o primeiro instrumento que inovou esteticamente sem se preocupar em como se adaptaria ao corpo humano. Isso na metade do século XX! Isso serve como orientação.
  • Existem violões de proporções diferentes que respeitam a idade do iniciante. Se criança o violão meio ou violão três quartos – para um segundo momento, há violões de tamanho feminino, de medidas contrastantes para se adaptar ao formato do corpo e da mão. É preciso avaliar isso.
  • Para o violão existem três posições em curso no Brasil, bons instrumentistas em cada uma delas, mas mesmo que haja não consolida como posição ideal para a iniciação.
  • Não existem as “técnicas populares” e as “técnicas eruditas”. Há uma técnica para cada instrumento. Ocorre que os estilos utilizam e se concentram mais em determinados movimentos que compõe a técnica. A técnica é movimento, gesto fisiológico, e que complementará a questão do estilo – onde determinado repertório preconiza alguns pontos mais que outros.
  • Apenas a voz utiliza a fisiologia de forma diferente compondo realmente variáveis técnicas: uma popular e outra lírica, e provavelmente origine daí a confusão nos demais instrumentos. Do advento do Bell canto à padronização da sonoridade que diferem e muito no uso da voz  pós mercado fonográfico e advento do microfone, a voz flutuou em paradigmas. Observe!
  • Erudito e Popular quanto a técnica e posicionamento é questão de repertório, não de fisiologia, o gesto é o mesmo. A prática musical forma a concepção de execução livre ou centrada em escrita musical. E mesmo diferentes não constitui técnica de um instrumento.

Ficam algumas considerações para contribuir com sua formação.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.