História da Música – Compositores Eruditos Brasileiros

compositores eruditos brasileiros

Compositores eruditos brasileiros! Vamos realizar ao longo da semana um pequeno resumo para contribuir com uma possível avaliação de História da Música. Com a proximidade do vestibular das instituições públicas, os ânimos se exaltam, os alunos ficam apreensivos. Mas se acalmem, ainda há tempo, e mesmo assim sabemos que só precisamos colocar alguns pingos nos “is”.

O vestibular mais próximo e ao que me referi é o da UNICAMP. Os estudantes que já passaram pela primeira etapa, a de vídeo, e realizarão avaliação em outubro. Isso se a PANDEMIA deixar.

E quando faltar poucos meses para o vestibular da UNESP e USP assim, esse assunto permanecerá relevante.

Como será a série?

Nessa série de publicações vamos tratar das principais obras da história da música escrita, dos estilos até perguntas repetidas nos vestibulares. O repertório terminológico e auditivo comum. Aquele que trará estabilidade para a ação contemplativa quanto aos principais estilos, e, por conseguinte, períodos da história da música.

Hoje iniciamos com a Música Brasileira Erudita! 

Vale revalidar que a música erudita é o que consideramos de tradição escrita. Que transita em sua comunicação por partitura – do compositor para o instrumentista ou cantor. Tradição escrita surgida em ambiente sacro, eclesiástico, europeu a partir do século X, e primeiramente introduzido por eclesiásticos do mesmo modo no Brasil colonial.

Há compositores eruditos brasileiros anteriores ao século XIX (de música sacra), mas estamos tratando aqui da relevância para os vestibulares dos últimos dez anos das principais universidades de música do Brasil.

Século XIX

José Maria Xavier (1819 – 1987) é um padre representante do fazer musical brasileiro, de enfoque e estilo barroco brasileiro. Transitando em suas composições pelos os aspectos da música sacra.

Antônio Carlos Gomes (1836 – 1896) é um compositor brasileiro do século XIX, operista, que também se dedicou em partes para música instrumental e sacra.

Henrique Oswald (1852 – 1931) é um compositor brasileiro, pianista, e educador. Dirigiu o Instituto Nacional de Música, hoje UFRJ. Possui composições que remetem ao estilo neo-clássico.

Alberto Nepomuceno (1864 – 1920) é um compositor brasileiro, fundamental para constituição de certo nacionalismo brasileiro, que antecede e muito ao Modernismo, que procurava justamente esse conceitos que Nepomuceno já trouxera em suas obras. Tal qual Almeira Júnior (1850 – 1899) para as artes plásticas. Também educador antecedeu Henrique Oswald na direção do Instituto Nacional de Música.

Dedicou-se a música instrumental – para orquestra.

Século XX

Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959) é o compositor brasileiro que sintetiza a prática modernista. De certo viés nacionalista, onde se objetivava constituir através da composição erudita uma arte legítima brasileira, com o que havia de mais profundo da vanguarda internacional, em convergência com a música do povo, o folclore.

Dedicou-se a música instrumental – para orquestra e instrumentos em específico, como violão e piano. Também compôs Óperas.

Também desenvolveu por aspectos brasileiros o método do Orfeão, específico para educação musical no Brasil.

João de Souza Lima (1898 – 1982) é um pianista e compositor brasileiro, concertista de renome internacional. Patrono da instituição que mantém esse BLOG, estreou quase que a metade das obras para piano de Heitor Villa-Lobos, a outra metade foi estreada por nomes como a exímia pianista brasileira concertista Guiomar Novaes. Conhece? Se não conhece precisa conhecer! Participou inclusive da Semana de Arte Moderna de 1922.

Francisco Mignone (1897 – 1986) é um compositor brasileiro, paulistano, que desenvolveu sua obra com os alicerces do modernismo brasileiro. Muito amigo de Mário de Andrade, Mignone materializou em suas partituras os textos e ideias do modernista.

Radamés Gnatalli (1906 – 1988) é um compositor e instrumentista brasileiro, que dedicou-se tanto para a música erudita quanto para a música fonográfica – como artista, produtor e arranjador. Radamés inaugura uma nova etapa da música brasileira, cujos eruditos pelo atrativo comercial também dedicavam-se ao mercado emergente.

Mozart Camargo-Guarnieri (1907 – 1993) é um compositor que quando o modernismo brasileiro trouxe sua semana de arte ainda era um adolescente, mas que foi diretamente influenciado pelos alicerces ideológicos de Oswald e Mário de Andrade, produzindo extensa obra.

César Guerra Peixe (1914 – 1993) é um compositor brasileiro erudito, que flertou com as vanguardas do serialismo. Possui obras de valor incomensurável para uma nova vanguarda que se estabeleceu nos anos 1950, embora também possui influência direta do modernismo brasileiro. Na leitura e releitura dos gêneros e estilos da música brasileira.

Século XX – Uma nova Vanguarda

Gilberto Mendes (1922 – 2016) é um compositor brasileiro, que atuou nas vanguardas musicais brasileiras, como reflexo das tradições europeias do início do século XX, acompanhando algumas tendências do século – inclusive pela música eletroacústica.

Oswaldo Lacerda (1927 – 2011) é um compositor, pianista e educador brasileiro. Sua obra flertava com a música contemporânea, vanguardas do século XX. Respirava também o modernismo brasileiro em estilo neo-romântico.

Edino Krieger (1928) é um compositor brasileiro, que se destacou pela coautoria na criação da Bienal de Música Contemporânea e da Orquestra Sinfônica Nacional. Lirismo típico da música brasileira, como um todo, mas que transpira e transita por outras vanguardas da música erudita.

A música brasileira erudita tem Edino Krieger como um renovador. Particularmente admiro sua obra.

Então?

Conseguimos sintetizar pontos importantes da música brasileira escrita, dos compositores eruditos brasileiros. Imagine que o livro que é considerado base para diversos vestibulares sequer cita um compositor brasileiro. Uma lástima.

Sei que falta aqui compositoras brasileiras, e já de antemão me desculpo prometendo produzir um artigo sobre. Essa publicação procura elucidar o repertório e os compositores que fizeram parte dos vestibulares da UNESP, UNICAMP E USP na última década.

E faz parte do vocabulário do curso que ministro chamado PREPARATÓRIO PARA VESTIBULAR DE MÚSICA.

#VemProSouzaLima

Artigo publicado em outubro de 2018, ampliado e revisado em 8 de junho de 2020.

 

 

 

 

 

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/