Existe autodidata em música?

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Existe autodidata em música?

Parte da formação cultural, ética e comportamental ocorre através da observação. Todos nós aprendemos observando tanto quanto aprendemos ouvindo. Ou seja, por essa ótica quem não é autodidata em música?

Foge um pouco do cerne da questão, mas bem: um estudante, futuro musicista que tenha 15 anos de idade já possui uma formação musical provinda de sua rotina cotidiana. Uma formação adquirida em oportunidades sociais, com a família, na escola regular, com os amigos, em shows ou filmes; regados com música.

Assim, mesmo que nunca tenha estudado formalmente os valores musicais, ou sequer que perceba que está sendo musicalizado nessas ocasiões, o estudante saberá reconhecer uma estrutura musical: rítmica, diatônica, ou até atonal, claro, sem saber suas definições teóricas.

Nessa faixa etária consolidamos o que aprendemos como pulsação e ostinato, sem sabermos de fato o que as descreve, apenas reconhecemos.

O educador musical deve aproveitar a formação que é natural e impulsiona-la em suas atividades.

Pois bem:

Ao observar um músico tocando, ver e ouvir, também aprendermos naturalmente. No estudo da música, assim, usufruímos da aprendizagem herdada da primeira infância, em termo educacional ao início de nossa atividade formal (e até depois) no aprendizado via oralidade.

Todos que nos rodeiam são propulsores com ações de aprendizagem. Se nos dias de hoje vemos um vídeo na internet, ou recebemos um toque de um amigo, se faz certamente a função de um educador musical.

O que ocorre é que aprendemos nesse tipo de autodidatismo por uma forma desordenada, não progressiva.

É como montar um quebra-cabeça achando peças perdidas no espaço e colecionando e encaixando (quando possível!) sem saber exatamente a imagem que será formada.

É um percurso possível? Sim. Porém muito mais trabalhoso.

O professor de música, o educador em música, deve oferecer ao aluno uma estratégia para a consolidação do conhecimento, elencado em três partes: desenvolvimento muscular, desenvolvimento musical e construção de signos (símbolos, linguagem simbólica da música, teoria). Esse três fatores são muito importantes.

Como é um autodidata em música?

Em vinte anos de experiência letiva pude observar que os que se consideram autodidatas esbarram em questões do desenvolvimento muscular e da construção teórica, embora se destaquem no desenvolvimento das aptidões musicais voltadas ao lirismo.

Ocorre que um estudante guiado por um educador musical, recebe contribuições no desenvolvimento da musculatura, constituindo linguagem, leitura e reflexão analíticas. E se mal direcionado pode perder justamente no lirismo.

Então: Vale advertir que o aprendizado com o educador musical deve atribuir a esses três valores, o mesmo peso do aprendizado via oralidade. Ouvir, observar, como faria ou fez o autodidata tem um valor fundamental. Aprendemos nesse processo empírico alguns instintos musicais, linguagem e referência estética.

O iniciante autodidata

Para o iniciante, no estudo da música, o caminho do autodidata é muitíssimo trabalhoso. Um bom educador deve saber equilibrar as ações do aprendizado musical – via oralidade e tradição escrita. É uma parte chamada de aprendizago por oralidade – observação auditiva e visual, que chamam usualmente de autodidatismo.

Não se convenceu em procurar um professor de música?

Está certo. Mas quando montar o quebra cabeças e faltar algumas peças lembre-se desse artigo. E procure auxílio, para que seu aprendizado seja facilitado. Todos nós em dado momento da aprendizagem “aprendemos a aprender”, e acabamos por nos tornar de certo modo autodidatas, mas em outro momento. Essa máxima vale para um estágio mais avançado, onde nos encontramos com uma base mais consolidada.

A questão central deste artigo está na base, na primeira formação, já que para que um autodidata se destaque outros dez mil ficaram pra trás perdidos entre peças de um quebra-cabeça infindável.

Há qualidades sim, mas é primordial o equilíbrio.

Embora: Fale então um músico autodidata de carreira consolidada que respondo com mil outros também de sucesso que tiveram educadores musicais orientando seus caminhos. Ao citar, autodidata mesmo, ok?

Vamos em frente!

#VemProSouzaLima

Publicado em 14 de novembro de 2017, atualizado em 4 de setembro de 2018, revisado e ampliado em 12 de outubro de 2020.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/