E a trilha da série The Walking Dead?

Confesso que nunca fui ligado em série de TV. Não acompanhei nenhuma série famosa até em uma noite de quinta-feira assistir a um episódio da segunda temporada de The Walking Dead. Comecei como quem não quer nada a prestar atenção ao fundo enquanto trabalhava, olhando de vez em quando.

De repente toda trilha sumiu, desapareceu totalmente, restava uma respiração afobada, ruídos de água, passos, chão, e mais passos. Estava dentro de casa!

Os ruídos que compõe diretamente o ambiente da trilha, ocorridos dentro da ação da narrativa são sons diegéticos.

Aquilo me chamou atenção, longos minutos de silêncio, passos, e respiração, cadê a música? As notas organizadas?

Interrompi o que estava fazendo e colei meu olho na tela. E a cena prosseguiu, e ocorria hora ou outra alguma frequência na faixa mais grave que podemos perceber, ali por volta dos 20 a 30 hertz ou abaixo disso, como um pulso corporal. Fiquei intrigado, afinal que frequências uma TV mediana possui? Ou era o silêncio e uma relação de sons no limite do grave que criavam aquela sensação?

Você já testou seus ouvidos? Teste nesse link:

Só sei que aquilo me prendeu atenção. Nunca fui ligado em suspense e a partir dali procurei sons e mais sons de outras trilhas, séries e filmes, e entendi quão bem trabalhada é a trilha de cena de The Walkking Dead.

O que explica em proporção, ou move mais um argumento, para a consistência e sucesso da série: não são só zumbis correndo atrás de humanos sobreviventes. Há até certa tese antropológica, mas isso é outro assunto. E a trilha remonta muito valor a dramaticidade.

A música não diegética beira a abstração com tendência ao atonalismo, mas sublinha partes fundamentais, aciona ataques em momentos de impacto, e sobrevoa a tensão do expectador através das dinâmicas variadas.

Quanta tensão foi colocada a seguir, capítulo por capítulo?

Passei a acompanhar a série pela trilha sonora. O episódio que me ganhou foi o primeiro da segunda temporada, na TV paga. Depois procurei os que estavam antes, e os que já tinham sido transmitidos. A série TWD já andava para a quarta temporada.

Não me arrependi.

Toda boa série além de um investimento milionário em roteiros, filmagens, instalações, edições, atores, possui uma trilha fundamental. Diegética na captação ou na proposição dos sons de ambiente real, e não diegética quando composta por canções ou obras de caráter instrumental que grifam ou sublinham as cenas.

Veja a cena que me prendeu aqui!

As canções que TWD rememoram uma ideia clássica do cinema faroeste americano, cujo texto reforça o enredo da cena em assunto ou desfecho. Parece a canção certa, sempre.

Mas fica como assunto para uma segunda ou terceira postagem sobre The Walking Dead. Também precisamos falar do tema de abertura.

Vamos lá! O que te prende na sua série favorita e tem como motivo a música?

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico das unidades Moema, Alphaville, Ribeirão Preto e Lençóis Paulistas. É idealizador e coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular (extensivo e semi-intensivo), do Curso Técnico em Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, que ocorrem na unidade Paraíso. João Marcondes atua na instituição em tarefas administrativas como assistente de direção, e ainda é diretor da editora Souza Lima. É editor e autor do BLOG Souza Lima, com mais de quinhentas publicações (BR, ES e EN). É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Composições e obras disponível no Spotify, Deezer e iTunes Music.