A Intensidade na Partitura

intensidade

Símbolos ou sinais específicos para representar a expressividade humana? Sim, ocorre quando a intensidade procura símbolos para a partitura representando os contrastes de volume que pode ocorrer em uma obra musical.

A intensidade em valores de profundidade e simbologia específica estabeleceu-se apenas no período Romântico da música escrita do século XIX, música que chamamos de Erudita, e que no vocabulário cotidiano denominamos música Clássica.

Anteriormente a intensidade restringiu-se a maneiras comparativas de escrita – com termos de contraste envoltos a longas frases ou até seções. Trata-se dos termos provenientes do italiano pianíssimo, piano, mezzo piano, mezzo, mezzo forte, forte e fortíssimo.

Esses termos eram o mecanismo para escrita das intensidades até o início do século XIX, por volta de 1820.

Havia uma seção em mezzo forte, e algo em variações, na repetição, em intensidade nova, em piano ou forte, são bons exemplos desses contrastes. Pouco, até então, para um valor tão importante esteticamente.

Também desde o período clássico – entre 1750 e 1820, já ocorriam os crescendos e decrescendos, termos também proveniente do italiano, que representam um aumento de intensidade ou diminuição de intensidade, respectivamente.

Evolução estética

A intensidade seguiu como evolução estética composicional para a música erudita, uma maneira de extrema absorção dos sentimentos ou dos sentidos humanos em obras musicais! No romantismo os símbolos de intensidade ou dinâmica potencializaram-se, são mais símbolos, por ocorrer mais proposições estéticas – vide, por exemplo, a obra Sinfonia Fantástica de Hector Berlioz.

As alterações de intensidade passaram a ser quase que a cada pulso, não mais em frases alongadas.

A música popular por sua vez recolhe valores pessoais, de linguagem, e de especificidade interpretativa ao musicista, e de maneira própria tem a intensidade como algo perto da linguagem.

É verdade que nem tudo se pauta para a música popular principalmente ao que se refere a intensidade. Mas como ignorar uma evolução tão comprometida com a fidelidade ao que foi composto?

A música popular, já no século XXI, tem recorrido a mais simbologias interpretativas.

Claro, que é perfeito quando a linguagem da acentuação, da intensidade, está no trejeito do instrumentista improvisador de música popular, mas ocorre que para a composição ou arranjo não há o que justifique o esquecimento dos símbolos de intensidade para esse tipo de música.

Foi-se o tempo que o músico popular não era versado em linguagem escrita. Hoje há faculdades de música popular, como a Faculdade Souza Lima, que é mantenedora desse blog, que diariamente escrevo.

Através da escrita das intensidades o compositor ou o arranjador estabelecem diretrizes que definem o fazer musical. Em cada símbolo, em cada consideração.

Alguns dominam os coeficientes interpretativos da intensidade, outros apelam pro botão de volume!

Você já conhece os símbolos de intensidade?

Preparamos um infográfico para esclarecer as mais variadas questões da construção da linguagem escrita quanto a expressividade.

O próximos passo da seção Glossário apresentará o timbre como a última característica física pautada, para finalmente a seguir ingressarmos na seção dos valores musicais como melodia, ritmo, harmonia, forma e instrumentação. Claro, entraremos em algumas questões específicas do fazer musical, cruzando diretamente com a seção Quero ser músico.

Acompanhe em nosso blog as variações, cada inovação, que ainda há muito por vir.

Lembre sempre que o conhecimento é um caminho sem volta!

 

joão marcondes

Opinião

Aprender sobre a função dos símbolos para que tenhamos precisão interpretativa. Seja no que almejamos na criação, no arranjo ou na composição. Ao longo dos anos tenho aprimorado as partituras das minhas obras próprias, algo que tem valido muitíssimo a pena.

Ao tocar uma obra bem escrita, o músico se dispõe de maneira mais prática e direta, para produção musical ao qual atuo constantemente, otimiza a performance, e economiza horas de estúdio. Capriche em sua partitura.

#VemProSouzaLima

Publicado em 2 de março de 2018, ampliado e revisado em 29 de janeiro de 2020.

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João Marcondes
Professor João Marcondes é coordenador pedagógico dos programas Composição Popular - Letra e Musica, do Preparatório para Vestibular de Música (extensivo, semi-intensivo e intensivo), do Curso Técnico em Processos Fonográficos - Produção Musical, e da Pós-Graduação em Educação Musical, cursos que ocorrem na unidade Paraíso. Programas livres como Arranjo para pequenos agrupamentos, Arranjo para agrupamentos médios, Composição Instrumental. Coordena as unidades Moema e Alphaville desde 2010. João Marcondes também atua na instituição em tarefas administrativas, é assistente de direção da instituição e diretor da editora Souza Lima. É autor do BLOG Souza Lima e do BLOG Souza Lima - Magazine Luiza! Seus livros e métodos estão publicados no KINDLE - Amazon em parceria com a Editora Souza Lima. É educador Musical, compositor, arranjador e instrumentista. Mestre em Educação Arte e História da Cultura, especializado em docência em música brasileira, graduado e técnico em música. Suas composições e obras fonográficas estão disponíveis para audição no Spotify, Deezer e iTunes Music. É diretor e fundador da gravadora BAC Discos! www.bacdiscos.com/