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Curso de Análise de Filmes

Análise de filmes: a musicalidade do cinema. 

 

Este curso tem por objetivo mostrar como a música está sempre a superar as fronteiras disciplinares que lhe são atribuídas. Enquanto área de conhecimento, a música tem objetivos técnicos muito claros. As várias disciplinas que compõe sua grade curricular e sua irredutibilidade a outras formas de arte são provas de sua autossuficiência. Todavia, é justamente em razão de sua autonomia que o fenômeno cultural em que se configura não pode ser diluído ou compreendido por nenhum outro. O efeito desta posição indelével possibilita à música se relacionar com outros fenômenos culturais, permutar com eles sua estrutura, sem com isso se confundir com eles. Por essa razão, assim como toda arte em geral, é dotada de uma historiografia própria, desenvolvida ao lado da cultura ocidental, capaz tanto de refleti-la em seus elementos essenciais quanto de constituí-la. É por esta razão que podemos identificar a musicalidade de certos aspectos históricos e sociais, em estruturas linguísticas e mitológicas, em conformações antropológicas e científicas. Na antiguidade, a música era cotada entre as ciências exatas, e ainda hoje usamos seus conceitos mais próprios para descrever e qualificar uma gama de eventos que não seriam classificados como musicais. De outra forma, não seria possível atribuir musicalidade a tantas coisas que, aparentemente, nada tem a ver com a música. Assim uma conversa pode ser musical, uma estória, um evento e, até mesmo, a cena de um filme. Formalmente, o tempo da fruição artística se evidencia de modo privilegiado na música, mas na medida em que se modula, compõe de modos diferentes a temporalidade do teatro, da leitura e do cinema. Para o cineasta russo Andrei Tarkovsky, enquanto a música é a expressão do tempo enquanto tal, o cinema é a sua escultura. É através dos elementos singulares da configuração artística do tempo que o cinema será abordado neste curso. 

 

No primeiro semestre analisaremos o filme “Excalibur” e “Floresta de Esmeraldas”, ambos do diretor inglês John Boorman. A temporalidade, em sua tensão entre o tempo mítico e o tempo histórico, será abordada no primeiro, e em sua tensão entre passagem e presença, no segundo.

 

O curso de Análise de Filmes é uma introdução à Estética em que se relacionam ferramentas artísticas e filosóficas. Esta união, contudo, faz jus à tradição, uma vez que disciplinas como harmonia, aritmética e filosofia não se encontravam separadas a princípio.

 

Silvio Moreira é formado em psicologia e doutorando em filosofia pela PUC-SP. Estudou música desde a infância, além de estética com o musicólogo e historiador Ricardo Rizek, criador do método de análise de filme exercido no conservatório.

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